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O que é ‘gaslight’?

O dicionário norte-americano elegeu “gaslight” como a palavra do ano. O termo vem de uma prática negativa e foi muito utilizada em 2022. Vem que a gente explica o que significa o termo.

Publicado por
Brenda Barros

Este ano houve um aumento de 1.740% nas buscas pelo termo “gaslight” no site do dicionário norte-americano Merriam-Webster.

Na definição consta: “manipular psicologicamente (uma pessoa) geralmente por um longo período de tempo para que a vítima questione a validade de seus próprios pensamentos, percepção da realidade ou memórias e experiências confusas, perda de confiança e auto-estima e dúvidas sobre seus próprios estabilidade emocional ou mental: sujeitar (alguém) a gaslighting“.

Reprodução: Merriam-Webster

No português, a tradução não é idêntica. Está ligada a uma violência psicológica sutil que causa instabilidade emocional. O abusador mente, distorce a realidade e manipula a vítima.

A palavra não se tornou famosa apenas para pessoas de língua inglesa. Aqui no Brasil, no início do ano ela também foi bastante utilizada no período do Big Brother Brasil (BBB).

Arthur Aguiar, vencedor da edição, foi acusado de estar praticando gaslight. Em um dos jogos da discórdia, o tema ficou entre os cinco assuntos mais comentados do país.

Arthur foi acusado por Laís Caldas e outras mulheres da casa de diminuí-las durante diversas conversas. O tema ficou em alta, tiveram análises e muita polêmica.

Reprodução redes sociais

Sintomas de gaslighting ou manipulação emocional

A falta de confiança em si mesmo é uma das principais pistas de que você está sofrendo o gaslighting. “Perde a confiança, perde a autoestima e não tem mais o sentimento de autovalidação. Para ela ter validade, ela vai precisar desse olhar dessa pessoa que é o opressor”, avalia a psicóloga, defensora dos direitos das mulheres e deputada estadual Patrícia Bezerra.

“A vítima caba acreditando que está ficando louca, porque, geralmente, são essas as colocações do opressor: ‘você está louca, eu não disse isso, eu nunca fiz isso”, exemplifica a psicóloga.

Segundo Patricia, geralmente, quem pratica o gaslight usa outras pessoas para desmerecer a vítima. “Vamos supor que a opinião da sua melhor amiga é muito importante pra você. Então, aquele homem diz: ´mas a sua melhor amiga também acha isso de você´. Assim, vai minando a sua autoconfiança e duvidando da sua capacidade”.

As mulheres são as mais afetadas

Segundo o Instituto Brasileiro de Neurodesenvolvimento (IBND), o gaslight pode ser praticado tanto por homens quanto por mulheres. Mas este comportamento normalmente vem da população masculina, devido ao machismo. 

Para Patrícia Bezerra, o público mais afetado é “sem sombra de dúvida feminino”, com perfil de codependência.

Essa mulher com autoestima baixa fica mais sujeita a cair em uma relação abusiva de gaslight e costuma até construir uma família com seu algoz, segundo a psicóloga.

A vítima desse tipo de abusador psicológico pode ter na sua história situações que a levaram a um relacionamento abusivo. Pode ter sido falta de afeto na infância, ou o modelo recebido, isto é, primeiras relações afetivas que ela teve em casa.

“Ela se sente familiarizada com aquele amor, que é muito parecido com o que recebeu por sua vida toda. Para essa pessoa, aquilo não é algo errado ou anormal, então ela não consegue enxergar o comportamento abusivo do outro”, explica Patricia.

Acabar com essa relação é essencial, mesmo com filhos envolvidos. “Romper essa relação não é importante só para a mulher, mas para os filhos, porque eles têm a oportunidade de estabelecer um novo padrão fora do relacionamento abusivo”, afirma a especialista.

Indenização na Justiça

O gaslight pode ser passível de indenização na esfera civil e crime na penal. (JUsBrasil)

Manipulação em si não é crime, mas se for praticado com a intenção de obter para si ou para outros vantagem indevida, pode haver o crime de estelionato, previsto no art. 171 do Código Penal.

Se a manipulação for feita com algum tipo de violência ou ameaça grave, pode ser configurada como crime de constrangimento ilegal ou de extorsão, previstos nos artigos 146 e 158.

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Este post foi modificado pela última vez em 27 de março de 2023 10:31

Brenda Barros

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